5 minutos
julho 2005
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
          1 2
3 4 5 6 7 8 9
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 29 30
31            
ponto de encontro para partilhar impressões, opiniões e paixões em textos para cinco minutos de leitura

julho 08, 2005

» Filmes: O episódio que faltava...

Há filmes que nos marcam porque nos tocam e nos deixam a pensar, cheios de boas emoções, como a Terra do Nunca. Outros inquietam-nos, fazem-nos pensar e continuam a viver dentro de nós em pesadelos inesperados... Não é sobre nada disso que vou escrever hoje, porque há filmes que nos marcam simplesmente porque são esperados e desejados. Foi assim com o último Matrix e é assim com o último Star Wars...

Eu cresci com o fascínio dos filmes da série Star Wars. Lembro-me que o Regresso de Jedi foi um dos primeiros filmes que eu vi no cinema, em Évora, no antigo Salão Central. Não me lembro que idade tinha, talvez 9 ou 10 anos, mas lembro-me que nesse dia (talvez fosse domingo) deu um documentário na televisão sobre a rodagem desse mesmo filme. Como estava em cartaz no cinema, lembro-me de ter feito todas as manobras possíveis para convencer os meus pais a irmos ver. Fomos e as imagens do resgate de Han Solo ficaram impressas na minha memória, tal como a forma como Darth Vader acaba por se reencontrar com o seu lado humano, salvando o filho das garras do Imperador num último gesto desesperado...

É por isso que não podia perder este Episódio 3. Era a peça que faltava, a ponte de 30 anos que ia ligar o "primeiro" filme da série (o Episódio 4, o velhinho Star Wars original) com o fim da nova trilogia. Era uma missão ingrata e penso que é por isso que fiquei com um travo amargo, um sabor a incongruência, no fim deste filme. Mas, mesmo assim, não perdia este filme por nada. Afinal, era o episódio que faltava...

Publicado por Rui -

julho 04, 2005

» Momentos: De recomeçar!

Alguém parte uma laranja em silêncio, à entrada
de noites fabulosas.
Mergulha os polegares até onde a laranja
pensa velozmentem e se desenvolve, e aniquila, e depois
renasce. Alguém descasca uma pêra, come
um bago de uva, devota-se
aos frutos. E eu faço uma canção arguta
para entender.
Inclino-me sobre as mão ocupadas, as bocas,
as línguas que devoram pela atenção dentro.
Eu queria saber como se acrescenta assim
a fábula das noites. Como silêncio
se engrandece, ou se transforma com as coisas. Escrevo
uma canção para ser inteligente dos frutos
na língua, por canais subtis, até
uma emoção escura.

Herberto Helder, Ou o poema contínuo

Publicado por Rui -

junho 10, 2005

» Música: 3 Pistas

O conceito de colocar artistas a tocar e a gravar as suas músicas de forma diferente daquela com que as apresentam em disco não é novo, John Peel fez as Peel Sessions, a MTV as suas sessões Unplugged, Henrique Amaro e a Antena 3 as 3 Pistas.

Como o nome indica, 3 pistas apenas para gravação. Alternativas. E que bem que sabe ouvir Mesa no jazz descarnado de Luz Vaga, o sambinha de Uma para o caminho de Quinteto Tati, Temptation de Waits no contrabaixo e guitarra dos Dead Combo, Mão Morta, 1 Uik Project...

O conceito não é novo, mas que bem que resulta...

Publicado por António -

junho 07, 2005

» Livros: Irritações, decepções & confirmações

1. Há uma coisa que me tem irritado particularmente nestes dias últimos. Como não tenho uma boa loja de comics, ou sequer uma livraria que os tenha em abundancia aqui no alentejo profundo, vejo-me obrigado a comprá-los entre um jornal e um maço de tabaco, quando reconheço os autores ou a capa me desperta interesse. Sim a capa, e é isto que me irrita, porque não posso ver o seu interior, a qualidade do desenho, folhear umas páginas, porque estão sempre fechados no interior do seu casulo de plástico. Compram-se meio às cegas, e quando finalmente vemos o seu interior surgem as decepções, por vezes, ou as alegrias, felizmente na maior parte dos casos. E que tal passar pela livraria, ver um livro de arte com uma capa linda, e só depois de termos passado o cartão pela máquina termos a noção se valeu a pena? E perguntar à senhora por detrás do balcão: Posso abrir, e responderem: Não, não se pode abrir, vai levar?

2. Comprei esta semana 1000 Record Covers da Taschen, não pude, é claro, verificar o interior da mercadoria, mas arrisquei. Valeu a pena, mas também aqui não havia muito risco, conhecida que é a qualidade deste tipo de edições. Capas de LP's desde a década de 60 até aos anos 90. Um daqueles objectos que apetece cheirar e perder horas a olhar. Ou seja, aposta ganha.

3. Alguns dias depois, comprei Wolverine, Snikt, de Tsutomu Nihei, edição da Devir, com um Wolverine perdido num futuro onde os humanos estão praticamente extintos, substituídos por uma bactéria qualquer, blá, blá... Só se safam alguns dos desenhos deste jovem japonês, num enredo desinspirado, previsível e no fundo, aborrecido. Aposta perdida, neste.

4. Passei pela Feira do Livro da cidade, meia dúzia de barracas com pilhas de livros, novidades excitantes nalgumas, edições de 1980 de capas sujas a preço de 2005 noutras, mas livros, muitos e de muitas cores e formatos, palpitantes, a pedir que os coloquemos no saco e lhes mostremos o caminho de casa. E que tal comprar "aquele" livro e dois dias depois descobrirmos que a preço de feira nos custou 4 euros a mais do que em qualquer hipermercado? Bem, pelo menos não gastei gasolina, foi ali no centro da cidade, onde cheguei a pé...

5. De qualquer forma, vendem-se livros. Podia talvez ser de uma forma mais honesta, criativa, bela, mas quem sou eu para estar com estas ideias... Afinal de contas sou só o comprador...

Publicado por António -

maio 31, 2005

» Livros: O jardim da Europa

Gosto dos livros de João Aguiar há muito tempo... Acho que ele é um dos melhores escritores portugueses e aprecio a forma como nos retrata enquanto povo, seja recriando as nossas origens remotas (como na Voz dos Deuses e na Hora de Sertório), seja mostrando cruamente o Portugal que conhecemos dos dias de hoje (como no Navegador Solitário e na trilogia genial que termina na Catedral Verde).

Lembrei-me dele por causa do referendo à Constituição Europeia deste domingo em França. O último livro de João Aguiar, O Jardim das Delícias, é precisamente sobre a Europa e sobre os riscos de uma construção europeia que passa imperceptivelmente de espaço de liberdade para espaço de controlo e de destruição das liberdades individuais. O fantasma que ele explora é o de uma Europa tão "boa" que pensar de forma crítica sobre as burocráticas e distantes instituições europeias é um crime de pensamento e expressar essa crítica é algo intolerável. E esse fantasma vive da forma como a discussão da Europa se faz com uma linguagem tão diplomática e politicamente correcta que se pode concretizar em qualquer coisa, boa ou má.

O referendo em França lembrou-me este livro do João Aguiar (que eu comecei a ler e ainda não terminei) porque acho que foi precisamente este fantasma da Europa controladora e distante que contribuiu para a vitória ao "não". Foi curioso ver as pessoas nas ruas a festejar com tanta alegria essa vitória... Será que os políticos europeus perceberam o sentido dessa celebração?

Publicado por Rui -